A verdade é que não vivemos as nossas vidas, vivemos o que achamos que está ao nosso redor. Tudo isso que ouvimos, vemos e presenciamos é mera coincidência. Tudo isso não parte de uma ilusão que nós mesmos criamos, Será mesmo que isso é a vida, e se isso for o final de tudo, quem pode nos afirmar que já estamos no final, e não no começo.
Essa poderia ser a minha verdade, cada um tem a sua, nós mesmo construímos os nossos sofrimentos. Não existe a pessoa de nossas vidas, existe a nossa vida. Criamos cenas rotuladas onde acabamos sempre em um buraco de tristeza e sofrimento, onde o coração parece ser fraco, onde o vazio nos contagia.
Uma vez um homem que vivia em cadeira de roda conseguiu a achar a cura para o que era o seu problema, um dia chegou a sua casa, que tinha um jardim com uma bela piscina, contagiado pela emoção logo quis mostrar a sua esposa que agora poderia andar pular e viver como uma pessoa normal. Deu um belo salto pela piscina. Mas sua satisfação logo se cortou quando olhou para os olhos daquela mulher e via a não contestação em seus olhos. Essa mulher guardava rancor e ódio. No seu passado tiveram uma filha, mas na gravidez interrompida a esposa abortou e guardou o feto no jardim de sua casa, durante anos aquela mulher vivia ao lado do espírito dessa menina, que cresceu com o rancor de não poder ter vivido, levava isso junto à sua mãe.
Havia dois outros personagens nessa estranha história, esses não tinham nome, nem características definidas, eram dois garotos, um poderia ser o narrador dessa vida, o outro era o segundo filho do casal que havia morrido de forma acidental, não se sabe como. Esse um garoto meigo, que gostava de proteger os outros, passava a vida ao amor pelo próximo. Seu espírito estava sempre ao lado de seu pai.Fez com que ele poderia andar novamente, te deu esperança, força e uma coragem que até então não havia explicações.
Juntos pai e filho, lutaram de forma platônica contra esse mal. Logo esse pai também havia morrido, logo após essas descobertas, a única imagem que havia tirado nesse plano foi da sua mulher em seu velório com olhar de satisfação e desprezo. Mas junto de seu filho e esse outro personagem pseudo fizeram resgatar todas as forças do bem que haviam diante de si. O amor entre ambos parecia ser maior do que qualquer outro fato. Mas o fato era que, esse pai foi o único talvez a aceitar a opção sexual desse filho, o amor foi capaz de compreender e de aceitar, entender.
Onde entraria esse tal personagem nessa história.... Ele era o observador, que diante do filho desse pai ao final desse sonho ouviu suas palavras: “Eu estou aqui para te mostrar que não precisa ter a angustia de esperar por amor, você aprendeu com a vida que tinha que viver uma grande paixão de sua vida, mas quem disse que poderia ser nessa vida. Estarei esperando você.” Só pude lembrar do seu olhar profundo e das doces palavras que suavam ao meu ouvido.
Esperamos muito, procuramos mais ainda, talvez procuramos preencher esses vazios e acabamos resgatando tristeza e rancor como dessa mãe e esposa. Talvez devemos ter a divina sabedoria e paciência de ouvir o que os anjos do outro lado tem a nos dizer.


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